05/10/2008

Um senso de realidade é uma conquista, um avanço partido do caos e confusão de um mundo ininteligível, uma construção. A primeira ordem introduzida no conceito que o homem tem do mundo foi uma ordem estética - a ordem do ritual e do mito. Mais tarde o intelecto fez gradualmente uma seleção da totalidade - a parte que pode descrever e medir - e deu-lhe uma unidade mais coerente, chamando-a de ciência. O mapa é constantemente ampliado; novos detalhes são acrescentados; mas amplos territórios de espaço e tempo ainda devem ser classificados como "terra incógnita". A sensibilidade opera como um relâmpago nesses abismos sombrios e o clarão permite uma visão rápida dos lineamentos desse desconhecido: a rápida percepção que é a intuição do artista e que ele luta, então, para nos comunicar pelos símbolos que inventa. É esse o momento de originalidade - o momento no qual compreendemos a brilhante e etérea tessitura da música, "as formas que perseguem os descampados do pensamento" na poesia, " a beleza elaborada de dentro sobre a carne" de uma pintura. Poesia, música, pintura - são todas artes ou habilidades para elevar os sentidos à condição de percepção, na qual o mundo não é transfigurado, mas na qual, pela primeira vez, um de seus aspectos é revelado, recebe uma forma e, com isso, é, para os olhos humanos, recém-criado, recém-comunicado.
As Origens da forma na Arte, de Herbert Read, poeta e crítico de arte inglês(1893-1968)

Nenhum comentário:

Postar um comentário