09/01/2009

Oswald de Andrade, por Tarsila do Amaral


"Gostaria de crer na nova geração, mas não acredito. Todos resolveram fazer da literatura um divã de psicanalista. Voltaram-se para dentro, e infelizmente o
único que se exterioriza é o 'burro blanco'. A minha geração tinha ao menos
o que combater, o que destruir. Esta, encontrou o terreno aplainado e não
consegue construir nada. Todos bem comportadinhos, uns garotões precoces,
querendo ganhar prêmios. É difícil dizer entre eles o que escreve mais corretinho.
Mas vá remexer no fundo, vá procurar idéias, vá auscultar as inquietaçoes. Os
críticos, por sua vez, limitaram-se às observações estilísticas. E julgam também
que a literatura nada tem a ver com o país onde é produzida. Como todo povo
subdesenvolvido, temos a mania de ser requintados. Ninguém se conforma em
não ter nascido em Paris. Provavelmente teremos também literatura requintada,
mas estranha a nós, inexpressiva, fria, reacionária. Mensagem aos jovens?Besteira!
Não lerão minha mensagem. É muito mais cômodo romancear os complexos e
fazer estilo. Isso dá prêmio, dá crítica e até emprego público".

Oswald de Andrade (1890-1954) - Extraído do Jornal da Senzala, n. 1, 1968

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