20/10/2010

Reconstrução


















Ouvir pacientemente
a voz da Terra.
Esta voz que ilude o lábio e escapa,
entre dentes,
sincopada,
da garganta cerrada,
do silêncio.


Ouvir a palavra dura,
a dor cuspida
coração afora,
a Esperança sepultada
coração adentro.


Não calar essa voz,
essas mãos,
porque então a Terra
falará pela boca dos vulcões.


E não basta ouvir,
é preciso que a mão
golpeie o leme
e corrija o rumo
mar adentro,
terra adentro,
classe adentro
raça adentro.


Pedro Tierra, pseudônimo de Hamilton Pereira da Silva, poeta, nascido em Porto Nacional(TO) em 1948. É autor de Poemas do Povo da Noite(menção honrosa no Prêmio Casa de las Américas, 1977), Missa da Terra sem-males(em parceria com Pedro Casaldáliga e Milton Nascimento), Água de rebelião, Inventar o Fogo. Foi secretário de cultura do Distrito Federal e é presidente da Fundação Perseu Abramo.

3 comentários:

  1. Adorei conhecer.
    Muito bom o poema!

    Beijo :)

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  2. por la imagen, creo que el texto debe ser muy delicado.
    un abrazo

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