12/11/2010

Espelho, espelho meu...!

Simplesmente lhe digo que me olhei num espelho e não me ví.
Não ví nada. Só os campos, liso, às vácuas, aberto como o sol,
água limpíssima, à dispersão da luz, tapadamente tudo.
Eu não tinha formas, rosto?
Apalpei-me em muito. Mas o invisto. O ficto.
O sem evidência física. Eu era - o transparente contemplador?
Tirei-me. Aturdí-me, a ponto de me deixar cair numa poltrona.
De "Primeiras Estórias", de João Guimarães Rosa

3 comentários:

  1. Somos tudo (para nós) e não somos nada (para o que nos rodeia).

    Obrigado pela reflexão.

    beijo :)

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