14/05/12

Uma hora para a loucura e a alegria

 Aneta Grzeszykovska


Uma hora para a loucura e a alegria! Ó furiosos! Oh, não me confinem!
(O que é isto que me liberta assim nas tempestades?
Que significam meus gritos em meio aos relâmpagos e aos ventos rugidores?)
Oh, beber os delírios místicos mais fundamente que qualquer outro homem!
Ó dolências selvagens e ternas! (Recomendo-as a vocês, minhas crianças,
Dou-as a vocês, como razões, ó noivo e noiva!)
Oh, me entregar a vocês, quem quer que sejam vocês, e vocês se entregarem a mim, num desafio ao mundo!
Oh, retornar ao Paraíso! Ó acanhados e femininos!
Oh, puxar vocês para mim, e plantar em vocês pela primeira vez os lábios de um homem decidido.
Oh, o quebra-cabeça, o nó de três voltas, o poço fundo e escuro – tudo isso a se desatar e a se iluminar!
Oh, precipitar-me onde finalmente haverá espaço e ar o bastante!
Ser absolvido de laços e convenções prévias, eu dos meus e vocês dos seus!
Encontrar uma nova relação – desinteressada – com o que há de melhor na Natureza!
Tirar da boca a mordaça!
Ter hoje ou todos os dias o sentimento de que sou suficiente como sou!
Oh, qualquer coisa ainda não experimentada! Qualquer coisa em transe!
Escapar totalmente aos grilhões e âncoras dos outros!
Libertar-me! Amar livremente! Arremeter perigosa e imprudentemente!
Cortejar a destruição com zombarias e convites!
Ascender, galgar os céus do amor que foi indicado para mim!
Subir até lá com minha alma inebriada!
Perder-me, se preciso for!
Alimentar o resto da vida com uma hora de completude e liberdade!
Com uma hora breve de loucura e alegria.


Walt Whitman

5 comentários:

  1. Posso agendar duas por semana?
    Se eu for bem aplicada, três?
    No final do mês, tendo tido uma média bem alta, quatro?
    Muitas??
    Beijosss
    Saudades, Ci!!

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  2. faz parte do deve haver

    loucura

    [senão como se resiste?]

    :-)!!!

    Beijo

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  3. MAGISTRAL TEXTO. GRACIAS.
    UN ABRAZO

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  4. uma hora de loucura e alegria: desta leitura!


    beijo, cirandeira.

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  5. Cirandeira,


    De exclamação em exclamação, a pessoa migra para a síncope ou para a pausa. Há de ser breve a hora, como medida profilática, ou auto-reguladora [sem hífen: autorreguladora; acho estranho a queda do hífen; sou hifenizado].


    Como se trata de Whitman, concebo o cara permanecer na exclamação, desde que na relva, numa paisagem plácida e acolhedora. Na megalópole, entraria em colapso.


    Um retrato bastante fidedigno de nossas aspirações mais exultantes, em certos momentos [de Ícaro]. Breves.



    Um beijo, querida!

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