22/07/2014

Ariano Suassuna - 1927-2014

 
 
 
 
Lápide
 
Quando eu morrer não soltem meu cavalo
nas pedras do meu Pasto incendiado
fustiguem-lhe seu dorso alardeado
com a espora de oura até mata-lo
 
Um dos meus filhos deve cavalga-lo
numa sela de couro esverdeado
que arraste pelo chão pedroso e pardo
chapas de cobre, sinos e badalos
 
Assim, com o raio e o cobre percutido
tropel de cascos, sangue do castanho
talvez se finja o som do ouro fundido
 
que em vão - sangue insensato e vagabundo -
tentei forjar no meu cantar estranho
a tez da minha fera ao sol do mundo!
 
Ariano Suassuna nasceu em João Pessoa(PB), em 1927 e faleceu hoje.
É escritor, poeta e dramaturgo.
 


2 comentários:

  1. UFFFFFF, TREMENDO EPITAFIO!!!!!
    UN ABRAZO

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  2. Poema digno do grande intelectual que foi. Sua imensa obra jamais morrerá...

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