03/10/2014

Yo no se de pájaros...


 
 
Eu não sei de pássaros,
não conheço a história do fogo,
mas acredito que minha solidão
deveria ter asas.
 
 
***
 
dice que no sabe
 del miedo
de la muerte
 del amor
dice que tiene miedo
de la muerte
 del amor
dice que el amor es muerte
es miedo
dice que la muerte
es miedo
es amor
dice que no sabe
 
 
disse que não sabe
do medo
da morte
do amor
 
disse que o amor é morte
é medo
disse que a morte
é medo
é amor
disse que não sabe
 
 
Alejandra Pizarnik, Buenos Aires, 1936-1972

6 comentários:

  1. GENIAL, GENIAL, GENIAL!!!
    UN ABRAZO

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  2. As nuvens e os homens teimam em repetir-se, em ciclos levemente retocados, ópera bufa de aparentes vontades várias.
    Nos murmúrios do poeta, a solidão devia servir-se com asas.
    Grato!

    Beijo :)

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  3. Fiz o comentário sem estar logada, só eu mesma! [rsrs]
    Ci, você escolhe uns poetas que vão bem fundo e que me deixam por minutos com dedos e mente assim, paralisados.
    Gostei, amiga! Gostei demais! Adorei!
    Semana boa aí, amiga querida!
    Abraços e beijos...

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  4. Esse pássaro tão solitário, seus layouts sempre nos trazendo uma poesia a mais, uma complementação extra...

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  5. Ci, você não imagina a trabalheira para elaborar posts sobre "esses monstros sagrados" do cinema. Felizmente, posso contar com uma ajuda doméstica inestimável, meu marido Rodrigo (risos), esse sim, um grande cinéfilo, pois não encara o cinema só como uma diversão, mas como Arte pra valer. Eu vi também os outros filmes que citaste, mas pincei o Violência e Paixão pois ali há propostas ideológicas de grandes proporções. Por exemplo, Konrad, o personagem do Helmut é tipo um daqueles revolucionários de 1968 na França, enfim, ele tem vida dupla, daí havendo na trama verdadeiros embates ideológicos. Além da grande Silvana Mangano,musa até do Clint Eastwood (quem diria, hein?), Visconti ainda colocou ali, fora dos créditos, duas outras grandes divas do cinema ; Dominique Sanda (que atriz maravilhosa!) e aquela beleza estonteante da Claudia Cardinale. Tá vendo? Pelo jeito, vou ter que fazer mais um novo capítulo, no mínimo, sobre o perfeccionista Visconti. Ah, a música do Roberto Carlos, você sabe o que o Visconti fez? Ele a transformou numa espécie de "opereta", pois quando a ouvi pela primeira vez, senti que já ouvira algo parecido. Pesquisamos, pesquisamos até chegarmos à conclusão de que nem aquela gravação oficial da Iva Zanicchi é a mesma do filme, ele a fez cantar no estilo dele e só para esse filme. Roberto Carlos vivia muito naqueles festivais (ele ganhou até o de San Remo) de música italiana e deve ter sido numa dessas que essa música, além de ter sido gravada por ele mesmo em italiano, também chegou aos ouvidos afinadíssimos desse grande diretor que a aproveitou como fundo musical daquela célebre cena. Nossa, tenho que parar por aqui, já devo estar te chateando com tudo isso.
    Amiga querida do coração e de idéias também, tenha uma linda e tranquila noite! Bjssss

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  6. "Às vezes você se esforça pra ser um sujeito normallll, e fazer tudo igualllll..."
    Ci, acho que estou incorporando o "maluco beleza" do Raulzito. Veja, a gente passa a vida inteira carregando nos ombros aqueles velhos padrões da "menina certinha" e aí? Nada dá certo, ou melhor, dá certo mas de outro jeito. Acho que o negócio deve ir naquela direção de deixar a coisa fluir, acontecer, isso não significa alienação e apatia...difícil de explicar, né? (seria a tal dialética socrática?)
    Olha, ontem foi um dia com tanta perturbação na minha cabeça, aquela chatice de pagar conta, fazer compras, até acho bom a gente poder colocar a vida real nos trilhos, mas me canso muito, quero fugir, a rotina é algo insuportável, dá dor no corpo, dói tudo. Então, foi bom você ter me perguntado sobre aquela conversa que vem nos aborrecendo tanto, ou seja, o porquê da blogosfera estar se transformando nessa geléia disforme, sem conteúdo, sem vida inteligente. E a minha teoria é simples, amiga: quantos habitantes tem o Brasil? Mais de duzentos milhões, sendo que, em termos de inclusão digital, temos lá pela casa dos quarenta milhões, por aí. É matemática pura, Ci. Tem muita gente boa que fica totalmente fora, excluída da "festinha da classe média" (com boas e raras exceções, você é uma exceção, e das melhores), e são esses grupinhos que comandam e, de certa forma, ditam as regras e fatiam a blogosfera. Aliás, foi você mesma quem tocou "nessa intencionalidade" e eu concordo totalmente. Daí, ficamos nós aqui, feito D. Quixote de saias, lutando contra os velhos e carcomidos moinhos de vento. Porém, como dizia minha saudosa mãe: "não podemos deixar a peteca cair." [ela era uma alagoana dura na queda]
    Bem, apesar de tudo, ainda temos que manter acesa a chama, sem aquele falso otimismo da seleção do Filipão, rsrs, mas caminhando, observando, sentindo o terreno. De vez em quando, faço um tour ligeiro e encontro uns blogs muito bacanas, gente madura, gente jovem, contando das suas experiências de vida, muito interessante. Paro, gosto e faço alguns comentários. Agora mesmo, antes de entrar, estava pensando em fazer uma postagem sobre essa temática, mas com calma, tipo um alerta no sentido da nossa responsabilidade com quem nos visita e lê. Que tal essa idéia? Vou pensar mais, preciso amadurecer meu pensamento.
    Querida, um bom dia pra você! Vou tomar um cafezinho...é servida? Bjssss

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