13/11/2014

Manoel de Barros - 1916-2014


 
 
A maior riqueza
do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
palavras que me aceitam
como sou
- eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
 portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis
que vê a uva, etc, etc
Perdoai, mas eu
preciso ser Outros
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.
 
 
***
 
 
Quando o mundo abandonar o meu olho,
quando o meu olho furado de belezas for esquecido pelo mundo,
Que hei de fazer?
Quando o silêncio que grita do meu olho, não for mais escutado
Que hei de fazer?
Que hei de fazer se de repente
a manhã voltar?
Que hei de fazer?
Dormir, talvez chorar

2 comentários:

  1. E assim partiu ele, feito borboleta, deixando o profundo desejo de renovar o homem. Fez a sua parte e continuará fazendo com as obras que deixa. Será um utopia, esse desejo dele, mas de certeza que, cada um que ler um poema seu saíra´sempre mais rico e renovado , com a alma cheia de vontade de mudar. Beijinhos, amiga! Fica bem!
    Emília

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  2. UN TEMA MUY, MUY DISIENTE!!!
    ABRAZOS

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