28/07/2015

Paul Celan, um olhar para além do visível





Desvelado aos portões do sonho
luta, isolado, um olho.
Ainda existirá um olho
de outrem, ao lado
desse nosso: mudo
sob a pálpebra de pedra.
Oh esse olho ébrio
que erra ao redor como nós
e por vezes atônito nos mira.
Ai a escuridão
olhada atenta.
Olhos e boca, tão abertos e vazios, Senhor.
Teu olho, tão cego como a pedra.
Flor - uma palavra de cegos.
Cantos:
vozes dos olhares em coro,
tu estás
onde está teu olho, tu estás
no alto, estás
embaixo, eu
encontro a saída.

Um comentário:

  1. Cirandeira,
    quisera eu ter o seu crivo, sua lupa, seu sentir.

    Beijão

    R.

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