DE CHARLES BUKOWSKI (1920-1994)

Arder na água, afogar-se no fogo. O mais importante é saber atravessar o fogo.

31/03/2009

Lembrar, para NÃO REPETIR!


"Liberdade" *
Não ficarei só no campo da arte e,
ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te, serenamente,
alheio à própria sorte
para que eu possa um dia contemplar-te

dominadora em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por mais risco que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo
em suma, que não exista força humana
alguma que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for, possa feliz,
indiferente à dor, morrer sorrindo
a murmurar teu nome!
Carlos Marighella ( 1911-1969)
de Remo Mannarino
Quando o muro separa, uma ponte une;
se a vingança encara, o remorso pune.
Você vem, me agarra, alguém vem, me solta;
Você vai na marra, ela um dia volta,
e se a força é tua, ela um dia é nossa...
Olha o muro, olha a ponte,
olha o dia de ontem chegando...
Que medo você tem de nós!

Você corta um verso, eu escrevo outro.
Você me prende vivo, eu escapo morto,
de repente, olha eu de novo perturbando a paz,
exigindo troco...
Vamos por aí, eu e meu cachorro...
Olha um verso, olha o outro, olha o velho,
olha o moço chegando,
Que medo você tem de nós, olha aí...
O muro caiu, olha a ponte da Liberdade guardiã,
o braço do Cristo, horizonte abraça o dia de amanhã...

"Pesadelo"

Maurício Tapajós/Paulo César Pinheiro

28/03/2009

Campo de Paguru, Sudão

Foto: Sebastião Salgado

Pária
Somos poucos,
cada vez menos.
Somos loucos,
cada vez mais.
Somos além
dessa matéria óbvia
que nos faz dizer
- Tá tudo bem.
Celso Borges

26/03/2009

São Luís do Maranhão




Foto: marciojames.wordpress
Poema da Grande Transformação
A primeira vez que a Morte passou pela minha vida,
caíram por terra a coroa do império, o cetro do orgulho,
o castelo da vaidade. E fui ficando mais leve do enorme
peso da vida.
A segunda vez que a lâmina da Morte passou pela minha vida,
cortou-me os braços e todo o apego fugiu-me por entre os dedos.
E fui ficando mais livre do enorme peso de existir.
A terceira vez que a lâmina da Morte passou pela minha vida,
cortou-me as pernas e aprendí a caminhar
com os meus próprios passos, e fui ficando mais livre
do eterno peso de existir.
A quarta vez que a lâmina da Morte passou pela minha vida,
rasgou-me o horizonte do coração e todas as estrelas do futuro
caíram-me aos pés.
E fui ficando mais solto do pesado fardo de ser.
A enésima vez que a Morte passou pela minha vida,
já estava podado de quase todos os excessos do ego.
Separado o espesso do sutil, reduzido à essência do ser.
E fui ficando mais leve do aéreo peso da vida.
A última vez que a Morte passou pela minha vida,
decepou-me o pescoço e a esperança.
Minha cabeça rolou pelos campos de toda memória.
Estava livre de todo o excesso da matéria
e comecei a viver!
Luís Augusto Cassas,poeta maranhense (1953 - )

A cidade caracteriza-se por sua arquitetura colonial,tombada como patrimônio da Humanidade, pela Unesco

A baba do boi é do boi

O berro do boi é do boi

A dor do boi é do boi

A morte do boi é do boi

Mas o boi não é do boi

O carro-de-boi não é do boi

A bosta do boi não é do boi

A língua do boi não é do boi

A costela do boi não é do boi

O chifre do boi não é do boi

O couro do boi não é do boi

O couro do boi não é do boi

A carne do boi não é do boi

Não é do boi o bumba-meu-boi

Quase nada do boi é do boi

E o que é do homem do bicho não come!

"Matadouro" - Celso Borges ( 1953 - )


A ilha de São Luís era habitada por índios tupinambás que a chamavam pelo nome de Upaon-Açu, que significa "ilha grande". Em 1612 foi invadida por franceses, que mudaram o seu nome para homenagear o patrono da França Luís IX e o então rei francês, Luís XIII. Em 1615 foram expulsos pelos portugueses, sob a liderança de Jerônimo de Albuquerque. A ilha foi também cobiçada pelos holandeses que alí aportaram em 1641, sendo expulsos em 1644.
No final do século XVIII a economia maranhense viveu seu apogeu graças a exportação de algodão para os Estados Unidos. A cidade mantinha relações com algumas capitais europeias e foi a primeira cidade brasileira a receber uma companhia italiana de ópera. Também recebia semanalmente os últimos lançamentos da literatura francesa. Os grandes comerciantes locais mandavam seus filhos para estudar em Recife, Salvador, Rio de Janeiro e Europa.
O povo maranhense possui a fama de falar o português mais correto do país e
uma imensa lista de personalidades ilustres nas mais diversas áreas, passando pela poesia, literatura, folclore, instrumentistas, compositores, cantores, etc. Entre essas personalidades, podemos citar algumas, como por exemplo, Humberto de Campos(poeta), Coelho Neto (poeta), Gonçalves Dias (poeta), Josué Montello (escritor), Ferreira Gullar (poeta), Turíbio Santos (violonista), João do Vale (cantor e compositor), Catulo da Paixão Cearense (cantor e compositor), Alcione (cantora), Joãozinho Trinta (carnavalesco), Zeca Baleiro (cantor e compositor), Luís Augusto Cassas(poeta), Celso Borges (poeta), Maria de Fátima de Sousa (escritora, indicada para o Nobel de Literatura, em 2005), Lília Diniz (poeta). A lista é quase interminável! A primeira gramática brasileira foi escrita e editada pelo maranhense Francisco Sotero dos Reis (1800-1871). As manifestações culturais incluem o bumba-meu-boi, (festa afro-indígena que ocorre no mês de junho), o tambor-de-crioula (africana), o cacuriá, o tambor-de-Mina (afro-brasileira).
Lamentavelmente, nos dias de hoje o Estado do Maranhão é um dos mais pobres da federação com o mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país.
(fonte: wikipedia)

23/03/2009


"A primeira bailarina" - Edgar Degas (1834-1917)
Olha! Será que ela é moça? Será que ela é triste,
será que é o contrário? Será que é pintura, o rosto da atriz?
Se ela dança no sétimo céu, se ela acredita que é outro país..?
E se ela só decora o seu papel...?
E se eu pudesse entrar na sua vida...
Olha! Será que ela é de louça ? Será que é de éter?
Será que é loucura, será que é cenário a casa da atriz?
Se ela mora num arranha-céu,
e se as paredes são feitas de giz...
E se ela chora num quarto de hotel?
E se eu pudesse entrar na sua vida...!
Sim, me leva para sempre, Beatriz...
Me ensina a não andar com os pés no chão...
Para sempre é sempre por um triz...
Ai! Diz quantos desastres tem na minha mão...
Diz que é perigoso a gente ser feliz...
Olha! Será que é uma estrela? Será que é mentira?
Será que é comédia, será que é divina a vida da atriz?
Se ela um dia despencar do céu...
E se os pagantes exigirem bis, e se o arcanjo passar o chapéu...
E se eu pudesse entrar na sua vida...!?
"Beatriz" - Chico Buarque de Holanda