20/11/09

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA !




Neste dia em que relembramos o dia do assassinato do líder negro ZUMBI DOS PALMARES, ocorrido em 1695, quero deixar registrado o meu abraço fraterno e solidário a todos os negros do Brasil e do continente africano, que ainda hoje são vítimas do preconceito de cor e da discriminação social e econômica. Embora tenha havido avanços no sentido de acabar com tudo isso, ainda temos muito a caminhar...!

18/11/09

Arte Afro-Brasileira II - um pintor e um poeta

"Retrato de Mulher", de Benedito José Tobias( 1894-1963)
Solano Trindade(ao centro), em Embu(SP) - 1969

Eita negro!

Quem foi que disse que a gente

não é gente?

Quem foi esse demente,

se tem olhos não vê...

Que foi que fizeste mano,

pra tanto falar assim?

- Plantei nos canaviais do nordeste

- E tu mano, o que fizeste?

- Eu pantei algodão nos campos do sul

pros homens de sangue azul,

que pagavam o meu trabalho

com surra de cipó-pau

- Basta mano, pra eu não chorar

- E tu Ana, conta-me tua vida

na senzala, no terreiro

- Eu...

cantei embolada pra sinhá dormir,

fiz tranças nela, pra sinhá sair...


Francisco Solano Trindade, nasceu em Recife(PE), em 1908. Poeta, folclorista, teatrólogo e pintor. Faleceu no Rio de Janeiro em 1974

17/11/09

Arte Afro-brasileira - um pintor e um poeta

"Cena de candomblé", de Wilson Tibério(1923-2005)



TREZE

Cansado de ser servido em prantos

regados de cor e som

para comensais risonhos,

que dilaceram nossos valores

com os dentes afiados,

quero agora no momento lúcido,

gritar o necessário fato,

de que os treze ou treze

não nos diz nada além

do que vocês, caros convivas,

querem mostrar, encobrir, ostentar.

Criaram fotos coloridas, comemorações festivas,

toques de tambores e atabaques,

para mostrar que somos livres,

felizes, e aceitos.

Tolas mentiras!

Somos sim,

lascas de suor,

cortes de chicotes,

cheiros de fogão

entradas de serviço.

Precisamos fazer algo sim

para que ao invés

do paternalismo brutal

da gentil princesinha

haja a liberdade

de podermos realmente

abrir a porta desta senzala

para fazer a festa da cor real

do som dos atabaques

de danças e corpos

que rasgarão a noite,

os tempos,

no verdadeiro canto

da ABOLIÇÃO que ainda não houve.


De "O Arco-Íris Negro", de José Carlos LIMEIRA Marinho Santos, poeta baiano de Salvador(BA)