DE CHARLES BUKOWSKI (1920-1994)

Arder na água, afogar-se no fogo. O mais importante é saber atravessar o fogo.

25/03/2026

Palavras que andarilham


Palavras trôpegas tropeçam pelas ruas da linguagem. Andarilham ao relento; como curtos-circuitos, desencapam fios, desconectando a chave geral da comunicação. Obscuridade. Caminham num arquejar de soluços cansados; cambaleiam entre as linhas que equilibram seu corpo frágil. É preciso resistir para que outras venham auxiliá-las, a despeito de máquinas ou avatares. Pássaros sobrevoam telhados para criar seus ninhos. Palavras voam à procura de vozes que as representem; seus pelos se eriçam, saltam, transpiram, transbordam no suor que desliza sobre o fio da imaginação... E imaginação é uma capacidade, um direito,e a disponibilidade para voar tão ou mais alto do que os pássaros; não tem fronteiras, nem barreiras que a impeçam de ir além das coisas comezinhas, de preconceitos e falsos moralismos. Antes das palavras, a imaginação já andarilhava embrionariamente no líquido amniótico que a gerou. Talvez seja por isso que as palavras têm força; sua matriz é o começo de tudo, é a própria vida, e sobreviverá ad infinitum...!

11/03/2026

Tempesta...

 





O dia chegou com a noite mas a coruja não apareceu; a passarada nem cantou, mal chegou e já bateu asas! Por onde andará o vento que não chega para dar passagem ao tempo, esse tempo de escombros e de ossos? Uma vontade louca de falar sobre coisas bonitas, de falar sobre amor, de amar mar adentro, mas o mundo está cheio de ondas violentas e é preciso colecionar pedras, criar rochedos. As pérolas estão submersas, as palavras estão desgastadas: as bolhas, os clichês, os algoritmos...ora bolas!