19/05/2014

Poemas verticais

Um som novo
trai a minha língua
Não se parece com a palavra
É como uma árvore
que se fizesse o canto do pássaro
ou a pedra, o murmúrio da água
 
E o som que sonha a solidão dentro de um deserto
 
 
***
 
A vida é uma precaução necessária,
como a sombra para a árvore.
Mas existe algo que sobra,
como se a vida devesse esquivar-se
de seu próprio salto
ou a sombra deitar-se atrás e não adiante.
 
A nudez é anterior ao corpo.
E o corpo algumas vezes não se recorda disso.
 
 
Roberto Juarroz, Argentina (1925-1995)

2 comentários:

  1. Belíssimos. Da verticalidade humana, da alma ao corpo.

    Beijo, amiga!

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