Quando os maus se reúnem há uma conspiração, não uma sociedade. Não se amam, mas se temem. Não são amigos, mas cúmplices. Mas, mesmo que não fosse assim, seria difícil encontrar um amor sincero num tirano, porque, estando acima de todos e não tendo companheiros, já está além dos limites da amizade.
Os protegidos de um tirano nunca podem contar com ele porque aprenderam que seu protetor pode tudo, que nenhum dever o obriga, que está acostumado a não ter nenhuma lei além de sua própria vontade e nenhum companheiro, por ser o senhor de todos. Não é lamentável que com tantos exemplos evidentes, sabendo que o perigo está tão presente,, ninguém queira tira a lição das misérias de outros e que tantas pessoas ainda se aproximem naturalmente dos tiranos?
Estes miseráveis veem os tesouros do tirano brilhar; admiram alucinados os raios de sua pompa. Deslumbrados com esse esplendor, aproximam-se dele sem se dar conta que se atiram numa chama que vai consumi-los.
Trechos do Discurso da Servidão Voluntária, de Étienne de La Boétie - Sarlat(França) 1530-1563

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