07/07/2014

De sombras, palavras e mentiras



 
ontem
quebrei as sombras e vi
mosaicos de palavras saltarem
pelos ares, imagens transparentes
projetadas sobre um leito de
verbos silentes em bocas fechadas
 
aos pés de uma página que
o tempo amarelou algumas
palavras tentam sobreviver
amontoadas e sozinhas
juntas mas separadas
desarticuladas...

hoje
a língua dorme em
redes de aparentes conexões
embalada por uma sinfonia
de pombos e pardais
predadores
 
ainda assim quero
tua boca cheia
de mentiras!

4 comentários:

  1. Disfruto mucho leyendo en portugués, "ainda" que no me atrevo a escribirlo, lo entiendo bastante bien.

    Me ha sorprendido el giro del poema con los tres últimos versos, que le dan mucha fuerza a ese lamento.

    A veces abusamos de las palabras, teorizamos sobre la vida en vez de vivirla.

    A veces, también preferimos que nos mientan al silencio o el vacío.

    Un beso, poeta.


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  2. Os pardais e bichos predadores sempre tentarão nos transviar das palavras certas, Ci. Entretanto, ainda podemos escolher uma "mentira nobre" como o náufrago busca um tronco de árvore em terrível corredeira. Esse é que é um poema forte! Beijos, amiga! [Grande e enigmático layout]

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  3. UN TEXTO MUY VERTICAL!!!!
    UN ABRAZO

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  4. Ci, e ainda dizes que não é poeta? Ah!!!! Vi a força do poema...
    Beijos,

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