31/03/2009

Lembrar, para NÃO REPETIR!


"Liberdade" *
Não ficarei só no campo da arte e,
ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te, serenamente,
alheio à própria sorte
para que eu possa um dia contemplar-te

dominadora em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por mais risco que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo
em suma, que não exista força humana
alguma que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for, possa feliz,
indiferente à dor, morrer sorrindo
a murmurar teu nome!
Carlos Marighella ( 1911-1969)
de Remo Mannarino
Quando o muro separa, uma ponte une;
se a vingança encara, o remorso pune.
Você vem, me agarra, alguém vem, me solta;
Você vai na marra, ela um dia volta,
e se a força é tua, ela um dia é nossa...
Olha o muro, olha a ponte,
olha o dia de ontem chegando...
Que medo você tem de nós!

Você corta um verso, eu escrevo outro.
Você me prende vivo, eu escapo morto,
de repente, olha eu de novo perturbando a paz,
exigindo troco...
Vamos por aí, eu e meu cachorro...
Olha um verso, olha o outro, olha o velho,
olha o moço chegando,
Que medo você tem de nós, olha aí...
O muro caiu, olha a ponte da Liberdade guardiã,
o braço do Cristo, horizonte abraça o dia de amanhã...

"Pesadelo"

Maurício Tapajós/Paulo César Pinheiro

28/03/2009

Campo de Paguru, Sudão

Foto: Sebastião Salgado

Pária
Somos poucos,
cada vez menos.
Somos loucos,
cada vez mais.
Somos além
dessa matéria óbvia
que nos faz dizer
- Tá tudo bem.
Celso Borges

26/03/2009

São Luís do Maranhão




Foto: marciojames.wordpress
Poema da Grande Transformação
A primeira vez que a Morte passou pela minha vida,
caíram por terra a coroa do império, o cetro do orgulho,
o castelo da vaidade. E fui ficando mais leve do enorme
peso da vida.
A segunda vez que a lâmina da Morte passou pela minha vida,
cortou-me os braços e todo o apego fugiu-me por entre os dedos.
E fui ficando mais livre do enorme peso de existir.
A terceira vez que a lâmina da Morte passou pela minha vida,
cortou-me as pernas e aprendí a caminhar
com os meus próprios passos, e fui ficando mais livre
do eterno peso de existir.
A quarta vez que a lâmina da Morte passou pela minha vida,
rasgou-me o horizonte do coração e todas as estrelas do futuro
caíram-me aos pés.
E fui ficando mais solto do pesado fardo de ser.
A enésima vez que a Morte passou pela minha vida,
já estava podado de quase todos os excessos do ego.
Separado o espesso do sutil, reduzido à essência do ser.
E fui ficando mais leve do aéreo peso da vida.
A última vez que a Morte passou pela minha vida,
decepou-me o pescoço e a esperança.
Minha cabeça rolou pelos campos de toda memória.
Estava livre de todo o excesso da matéria
e comecei a viver!
Luís Augusto Cassas,poeta maranhense (1953 - )

A cidade caracteriza-se por sua arquitetura colonial,tombada como patrimônio da Humanidade, pela Unesco

A baba do boi é do boi

O berro do boi é do boi

A dor do boi é do boi

A morte do boi é do boi

Mas o boi não é do boi

O carro-de-boi não é do boi

A bosta do boi não é do boi

A língua do boi não é do boi

A costela do boi não é do boi

O chifre do boi não é do boi

O couro do boi não é do boi

O couro do boi não é do boi

A carne do boi não é do boi

Não é do boi o bumba-meu-boi

Quase nada do boi é do boi

E o que é do homem do bicho não come!

"Matadouro" - Celso Borges ( 1953 - )


A ilha de São Luís era habitada por índios tupinambás que a chamavam pelo nome de Upaon-Açu, que significa "ilha grande". Em 1612 foi invadida por franceses, que mudaram o seu nome para homenagear o patrono da França Luís IX e o então rei francês, Luís XIII. Em 1615 foram expulsos pelos portugueses, sob a liderança de Jerônimo de Albuquerque. A ilha foi também cobiçada pelos holandeses que alí aportaram em 1641, sendo expulsos em 1644.
No final do século XVIII a economia maranhense viveu seu apogeu graças a exportação de algodão para os Estados Unidos. A cidade mantinha relações com algumas capitais europeias e foi a primeira cidade brasileira a receber uma companhia italiana de ópera. Também recebia semanalmente os últimos lançamentos da literatura francesa. Os grandes comerciantes locais mandavam seus filhos para estudar em Recife, Salvador, Rio de Janeiro e Europa.
O povo maranhense possui a fama de falar o português mais correto do país e
uma imensa lista de personalidades ilustres nas mais diversas áreas, passando pela poesia, literatura, folclore, instrumentistas, compositores, cantores, etc. Entre essas personalidades, podemos citar algumas, como por exemplo, Humberto de Campos(poeta), Coelho Neto (poeta), Gonçalves Dias (poeta), Josué Montello (escritor), Ferreira Gullar (poeta), Turíbio Santos (violonista), João do Vale (cantor e compositor), Catulo da Paixão Cearense (cantor e compositor), Alcione (cantora), Joãozinho Trinta (carnavalesco), Zeca Baleiro (cantor e compositor), Luís Augusto Cassas(poeta), Celso Borges (poeta), Maria de Fátima de Sousa (escritora, indicada para o Nobel de Literatura, em 2005), Lília Diniz (poeta). A lista é quase interminável! A primeira gramática brasileira foi escrita e editada pelo maranhense Francisco Sotero dos Reis (1800-1871). As manifestações culturais incluem o bumba-meu-boi, (festa afro-indígena que ocorre no mês de junho), o tambor-de-crioula (africana), o cacuriá, o tambor-de-Mina (afro-brasileira).
Lamentavelmente, nos dias de hoje o Estado do Maranhão é um dos mais pobres da federação com o mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país.
(fonte: wikipedia)

23/03/2009


"A primeira bailarina" - Edgar Degas (1834-1917)
Olha! Será que ela é moça? Será que ela é triste,
será que é o contrário? Será que é pintura, o rosto da atriz?
Se ela dança no sétimo céu, se ela acredita que é outro país..?
E se ela só decora o seu papel...?
E se eu pudesse entrar na sua vida...
Olha! Será que ela é de louça ? Será que é de éter?
Será que é loucura, será que é cenário a casa da atriz?
Se ela mora num arranha-céu,
e se as paredes são feitas de giz...
E se ela chora num quarto de hotel?
E se eu pudesse entrar na sua vida...!
Sim, me leva para sempre, Beatriz...
Me ensina a não andar com os pés no chão...
Para sempre é sempre por um triz...
Ai! Diz quantos desastres tem na minha mão...
Diz que é perigoso a gente ser feliz...
Olha! Será que é uma estrela? Será que é mentira?
Será que é comédia, será que é divina a vida da atriz?
Se ela um dia despencar do céu...
E se os pagantes exigirem bis, e se o arcanjo passar o chapéu...
E se eu pudesse entrar na sua vida...!?
"Beatriz" - Chico Buarque de Holanda

21/03/2009

Na paisagem do rio, difícil é saber
onde começa o rio; onde a terra começa a lama;
onde o homem, onde a pele começa a lama;
onde começa o homem naquele homem.
Difícil é saber se aquele homem
já não está mais aquém do homem
ao menos capaz de roer os ossos do ofício.
..................................................
Aquele rio era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul, da fonte cor-de-rosa,
da água do copo d'água, da água do cântaro,
dos peixes do cântaro, dos peixes de água,
da brisa da água.
Sabia dos caranguejos de lodo e ferrugem,
sabia da lama como de uma mucosa.
João Cabral de Melo Neto - 1920-1999
Tem certos dias que eu penso em minha gente
e sinto assim todo o meu peito se apertar,
porque parece que acontece de repente,
como um desejo de eu viver sem me notar...
Igual a como quando passo num subúrbio,
eu muito bem, vindo de trem de algum lugar...
E aí me dá uma inveja dessa gente,
que vai em frente, sem nem ter com quem contar!
São casas simples, com cadeiras na calçada,
e na fachada escrito em cima
que é um lar...
Pela varanda flores tristes e baldias
como a alegria, que não tem onde encostar...
E aí me dá uma tristeza no meu peito,
feito um despeito de eu não ter como lutar...
E eu que não creio, peço a Deus por minha gente,
é gente humilde, QUE VONTADE DE CHORAR...
"Gente Humilde" - Chico Buarque de Holanda

18/03/2009

Cenas de descobrimento de Brasis (cont.)
Canção do Exílio
Cena 4
Minha terra tem campos de futebol onde cadáveres
amanhecem emborcados pra atrapalhar os jogos.
Tem uma pedrinha cor-de-bile que faz "tuim" na
cabeça da gente. Tem também muros de bloco
(sem pintura, é claro, que tinta é a maior frescura
quando falta mistura), onde pousam cacos de
vidro pra espantar malaco. Minha terra tem
HK, AR15, M21, 45 e 38 (na minha terra, 32
é uma piada). As sirenes que aqui apitam,
apitam de repente e sem hora marcada.
Elas não são mais as das fábricas, que fecharam.
São mesmo é dos camburões, que vêm fazer
aleijados, trazer tranquilidade e aflição.
Fernando Bonassi - São Paulo (1962 - )
Canção do Exilio
Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá
As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas, nossas várzeas têm mais flores;
nossos bosques têm mais vida, nossa vida mais amores.
Em cismar sozinho à noite, mais prazer encontro lá;
minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá.
Minha terra tem primores, que tais não encontro eu cá.
Não permita Deus que eu morra
sem que eu volte para lá, sem que desfrute os primores
que não encontro por cá;
sem qu'inda aviste as palmeiras onde canta o sabiá.
Antonio Gonçalves Dias - poeta maranhense de Caxias - 1823-1864

17/03/2009

El Salvador é um pequeno país da América Central limitado ao norte por Honduras,(capital Tegucigalpa) a leste pelo Golfo Fonseca, ao sul pelo oceano Pacífico e a oeste
pela Guatemala(capital Guatemala).
Alguns séculos antes da chegada dos conquistadores espanhóis, a parte ocidental do país era habitada pelos Maias. Foi descoberto em 1522 por um piloto que fazia parte da expedição de Gil González D'Ávila. Durante o período de colonização espanhola, a região fazia parte do vice-reinado da Nova Espanha, mas pertencia à jurisdição da Guatemala.
O primeiro movimento que buscou tornar-se independente da Espanha ocorreu em
1811, mas em 1821 passou a ser dominado pelo México. Com a dissolução do império
mexicano em 1823, El salvador tornou-se um dos países membros da Federação das
Províncias Unidas da América Central(juntamente com Honduras, Guatemala, Nicarágua e Costa Rica). Ao romper-se essa federação em 1838, tornou-se uma república independente.
Conflitos políticos internos entre conservadores e liberais, retardaram o desenvolvimento do país durante todo o século XIX. No século XX os conservadores
ganharam bastante influência política e a presidência permaneceu sob o poder da elite que a mantinha como se fosse seu patrimônio pessoal.
A miséria no campo favoreceu o surgimento de movimentos guerrilheiros de esquerda. Ocorreram inúmeras violações dos direitos humanos pelo exército durante os anos 1970/80, documentadas por várias agências internacionais.
Em 1990 o grupo guerrilheiro da Frente Farabundo Marti de Liberación Nacional(FFMLN) e o governo, iniciaram negociações pela paz, com a mediação do secretário-geral da ONU Javier Peréz de Cuellar e finalmente, em 1992 chegaram a um acordo, encerrando um período de 12 anos de guerra civil que vitimou cerca de 12 mil pessoas.
O presidente Elias Antonio Saca González será substituído por Maurício Funes, eleito pela Frente Farabundo Marti de Liberación Nacional no dia 15 de março de 2009.
( Fonte: wikipedia.org)
Imagens da Ilha de Madagascar (clique em qq foto p/ampliar o tamanho do painel)

A ilha de Madagascar ou República Malgaxe, é um país africano situado na costa de Moçambique, da qual está separado pelo Canal de Moçambique. Sua capital é a cidade de Antananarivo. Foi colonizada por malaios-polinésios há dois mil anos, recebendo posteriormente árabes e africanos. Os primeiros europeus que chegaram à ilha foram os portugueses, em 1500. Foi protetorado da França e tornou-se independente em 1960, após violentos combates sufocados pelos franceses. Possui aproximadamente 17 milhões de habitantes. Possui fauna e flora riquíssimas e cultivam principalmente o arroz. Mais de 50% da população é analfabeta.


16/03/2009

Na própria precisão com que outras passagens lembradas se oferecem, de entre
impressões confusas, talvez se agite a maligna astúcia da porção escura de nós
mesmos, que tenta incompreensivelmente enganar-nos, ou, pelo menos, retardar
que perscrutemos qualquer verdade. (........)Nenhuns olhos têm fundo; a vida
também não.
..............................................
As nuvens são para serem vistas. Mesmo um menino sabe, às vezes, desconfiar
do estreito caminhozinho por onde a gente tem de ir - beirando entre a paz e a
angústia.
Nenhum, nenhuma (trecho) - "Primeiras estórias" - João Guimarães Rosa

15/03/2009

"O sr sabe: sertão é onde manda quem é forte com as astúcias.
Deus mesmo, quando vier, que venha armado!"

"Grande Sertão-Veredas" - João Guimarães Rosa

"Deus e o Diabo na terra do Sol", filme de 1964, dirigido por Glauber Rocha, baiano de Vitória da Conquista, narra a trajetória de um vaqueiro no sertão nordestino, que mata o seu patrão e foge para a caatinga, acompanhado por sua mulher, encontrando no caminho, um beato pregador, do tipo Antonio Conselheiro, e, posteriormente, junta-se a um grupo de cangaceiros.
O filme tem no elenco Othon Bastos, Yoná Magalhães, Geraldo del Rey e Maurício do Vale.

14/03/2009

Mãos Dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, à paisagem vista
da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado
por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente,
os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade
Cenas de descobrimento de Brasis (cont.)
Cena 3
Reflexo
Juruena está estranhando seu reflexo. Não num espelho espcífico, mas em qualquer superfície que a devolva. Se pega e se perde em vidraças, balcões de metal, louças... Há mesmo algumas modificações entre a expressão que faz e aquela em que aparece. Dança, pula, esbofeteia o ar...e chega arrasada aos seus próprios gestos. É mais ridículo que preocupante. Só rindo pra se aguentar se fugindo dessa forma. Não está interessada em fazer companhia a si mesma. Diria que é melhor nem encontrar consigo até que uma das duas resolva a diferença.
Cena 4
Planalto Central
O nome completo de Wilson é Wilson Patachó, mas isso tá na cara. Entre Paranã e Gurupi todo mundo o conhece como "Índio". Na verdade como "Índio do Posto Shell". Wilson ou "Índio do Posto Shell", também é conhecido por fazer negócio com os caminhoneiros. Tem duas filhas pra oferecer. Pega-se em Paranã e larga-se em Gurupi ou vice-versa. Uma chama-se Cibele Patachó e a outra Pamela Patachó. Cibele tem todos os dentes. Pamela nenhum e, justamente por isso, é a preferida pra coisa que aqueles homens brancos mais gostam de fazer.

13/03/2009

Cenas de descobrimento de Brasis
Cena 1
História das Ideias
Primeiro surgiu o homem nu de cabeça baixa. Deus veio num raio. Então apareceram os bichos que comiam os homens. E se fez o fogo, as especiarias, a roupa, a espada e o dever. Em seguida se criou a filosofia, que explicava como não fazer o que não devia ser feito. Então surgiram os números racionais e a História, organizando os eventos sem sentido. A fome desde sempre, das coisas e das pessoas. Foram inventados o calmante e o estimulante. E alguém apagou a luz. E cada um se vira como pode, arrancando as cascas das feridas que alcança.
Cena 2
Turismo Ecológico
Os missionários chegaram e cobriram das selvagens o que lhes dava vergonha. Depois as fizeram decorar a Ave Maria. Então lhes ensinaram bons modos, a manter a higiene e lhes arranjaram empregos nos hotéis da floresta., onde se chega de uísque em punho. Haveria uma lógica humanitária exemplar no negócio, não fosse o fato das índias começarem a deitar-se com os hóspedes. Nada faz com que mudem. Seus maridos, chapados demais, não sentem os cornos. De qualquer maneira, todos levam o seu. Só mesmo esse Deus civilizador é quem parece ter perdido outra chance.
Fernando Bonassi, escritor e cineasta nascido em São Paulo, em 1962

10/03/2009

"Arcos de Darwin" - Ilhas Galápagos


S O N E T O


Canta o teu riso esplêndida sonata,

E há no teu riso de anjos encantados,

Como que um doce tilintar de prata

E a vibração de mil cristais quebrados.


Bendito o riso assim que se desata

- Cítara suave dos apaixonados,

Sonorizando os sonhos já passados,

Cantando sempre em trinula volata!


Aurora ideal dos dias meus risonhos,

Quando úmido de beijos em ressábios

Teu riso esponta, despertando sonhos...


Ah! num delíquio de ventura louca,

Vá-se minh'alma toda nos teus lábios,

Ri-se o meu coração na tua boca!


Augusto dos Anjos - 1884-1914



08/03/2009

Recordar é Reviver !
Maria, Maria!
É um dom, uma certa magia,
uma força que nos alerta,
uma mulher que merece viver e amar
como outra qualquer do planeta!

Maria, Maria!
É o som, é a cor, é o suor,
é a dose mais forte e lenta
de uma gente que rí,
quando deve chorar,
e não vive, apenas aguenta!

Mas, é preciso ter força, é preciso ter raça,
é preciso ter gana, sempre!
Quem tem traz no corpo a marca, Maria,
mistura a dor e a alegria.
É preciso ter manha, é preciso ter graça,
é preciso ter sonho, sempre!
Quem traz na pele essa marca,
possui a estranha mania
de ter fé na vida...


Milton Nascimento/Fernando Brant
Ana Paes D'Altro, mais conhecida como Ana de Holanda, não se sabe exatamente
onde nasceu, mas há indícios de que tenha sido na Bahia por volta de 1605. Mudou-se para Pernambuco, onde foi dona de um engenho de cana-de-açúcar. Considerada
uma mulher forte, poderosa e sedutora, de comportamento avançado para a época.
Tornou-se uma mulher emblemática por lutar contra a invasão holandesa, abrigando
em seu engenho as mulheres e os filhos dos principais líderes da revolta pernambucana, em agosto de 1645, quando ocorreu um dos combates mais violentos
daquele período.

Maria Quitéria - (1792-1853) - Nasceu na Bahia e lutou pela independência do Brasil, de Portugal. Ao saber da existência de um movimento pró-independência,
resolveu alistar-se para participar, mas foi proibida pelo pai. Ela então raspou a
cabeça, pegou o uniforme de soldado do cunhado e fugiu, ingressando no regimento
de infantaria.
Tela de Jean Baptiste Debret ( 1758-1848)

Maria Tomásia Figueira Lima nasceu em Sobral (CE) em 1826. Fundou e presidiu a
Sociedade das Cearenses Libertadoras (1882), com o objetivo de lutar pela libertação
dos escravos. Faleceu em 1902.




Bárbara Pereira de Alencar (1792-1853), pernambucana que viveu a maior parte de sua vida na cidade do Crato (CE), participou da revolução republicana no Nordeste
chegando a ser presa e torturada.




Não te deixes destruir ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras
e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha um poema
e viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações
que hão de vir.
Esta fonte é para uso
de todos os sedentos.
Toma a tua parte,
vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
Cora Coralina (1898-1985)

07/03/2009

" Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai sobretudo o que parece habitual.
Suplico expressamente: não aceitai o que é de hábito
como coisa natural, pois em tempos de desordem
sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade
consciente, de humanidade desumanizada, nada deve
parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar!"


Bertold Brecht (1898-1956)
Arthemisia Gentileschi aprendeu a pintar com seu pai, que também era pintor. Criou sua primeira tela aos 17 anos. Aos 19, foi estuprada por Agostino Tassi, assistente de seu pai e também seu professor de Perspectiva. Segundo alguns, ele foi condenado a
2 anos de prisão, mas não chegou a cumprir a pena. Arthemisia casou-se pouco tempo depois, saindo de Roma, onde nasceu e indo morar em Nápoles. Algumas de suas telas retratam cenas que denunciam a agressão do homem contra a mulher. Ela pintou também uma outra versão da tela "Judite e Holofernes", pintada por Caravaggio, de quem teve forte influência, como uma forma de vingança pelo estupro
que sofreu, segundo disseram os críticos da época. Nasceu em 1593 e faleceu em 1651, aos 58 anos de idade.

05/03/2009

Um pouco de informação sobre o Sudão
Bilad-es-Sudan é o nome que deu origem à atual República do Sudão, que significa "terra dos negros" . Acredita-se que a denominação foi dada por aventureiros árabes
medievais, para delimitar a faixa negra que cruza a África desde o Mar Vermelho até
o Oceano Pacífico.
A República do Sudão tornou-se independente em janeiro de 1956. Em termos territoriais é o maior país da África, localizado entre diferentes mundos culturais:
África árabe, África africana, África mulçumana, África cristã, África anglofônica,
e África francofônica. Possui cerca de 38 milhões de habitantes, dos quais 70% são
muçulmanos, 25% animistas com crenças tradicionais e os restantes 5% são cristãos.
Além das diferenças religiosas, existem também as diferenças étnico-culturais entre
os árabes(aproximadamente 39% da população), os africanos negros (52%), o grupo étnico Beja (6% da população) e formações étnicas diversificadas (9%). A língua que predomina é o árabe, mas existem mais de 100 línguas locais. São aproximadamente
30 grupos étnicos, todos muçulmanos, vivendo alí há séculos.
A partir de 1980 começou o acirramento dos conflitos entre os pastores nômades árabes e os fazendeiros africanos, decorrente das secas e a consequente busca por terras aráveis e água. Há quem diga que o atual conflito em Darfur tem suas origens na fome devastadora que ocorreu de 1983/1984, tirando a vida de cerca de 175 mil
pessoas e o fracasso dos políticos para resolver o problema. Existe um conflito que já perdura há muito tempo, envolvendo questões muito mais complexas. Sabemos muito pouco ou quase nada sobre o continente africano. Esta postagem é apenas uma pequena contribuição. As informações aqui expostas foram colhidas na internet em:
"Nosso Darfur, Darfur deles"

04/03/2009

COMO ME FIZ NÃO VOLTARIA A ME FAZER .

TALVEZ, VOLTARIA A ME FAZER

COMO ME DESFAÇO !


Antonio Porchia - Itália - 1886-1968

02/03/2009

Este post faz parte da blogagem coletiva "ECOLOGICAL DAY" promovida por Sônia,
do "LEITURAS" e por Elma do "CALIANDRA DO CERRADO"

Foto: Truman Macedo
"O sertanejo é antes de tudo um forte". - Euclides da Cunha

01/03/2009


Caatinaga é o único bioma exclusivamente brasileiro. Grande parte do patrimônio biológico dessa região não é encontrado em outro lugar do mundo, além de no Nordeste do Brasil. Ocupa cerce de 7% do território brasileiro e estende-se pelos Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e norte de Minas Gerais. Na língua indígena significa "mata branca". Tem uma aparência de deserto, com índices pluviométricos baixos(aprox.500mm a 700mm/ano). Suas plantas são adaptáveis ao clima, transformando as folhas em espinhos, cutículas impermeáveis e os caules suculentos(ricos em água).As folhas caem durante a seca para evitar uma maior transpiração e as raízes desenvolvem-se bastante para absorver a maior quantidade de água possível do solo. São mecanismos que a natureza se utiliza para reduzir a perda de água durante a estação seca.
Cerca de 20 milhões de brasileiros vivem nos 800 mil quilômetros quadrados de Caatinga. Quando não chove, o sertanejo e sua família precisam caminhar vários quilômetros em busca de água dos açudes ou aguardar pela chegada dos carros-pipas que distribuem água. O clima é bastante irregular e é um dos fatores que mais interfere na vida do sertanejo.
caprinos e ovinos são os animais predominantes

A Caatinga durante a estação seca