15/06/2013

Rapsody in blue, de George Gershwin (1898-1937)





Extravio

Riscar o papel
não o corpo. Este já vai assim
por um triz, na vida. E havia luz
quando na sombra fez o inventário
das horas passadas e que estão por vir.
Entre as duas resta um milagre. Uma
que urra e deixa no ar a rara felicidade
de dizer o indizível, nesse lugar de falta grave.
Riscar um verso ao rés da vida.
Quem sabe, a via pode ser uma saída.
 
 
Mário Alex Rosa, em Via férrea


4 comentários:


  1. Gosto de poemas que falem de estradas, caminhos, saídas, vias. Não conheço o Mário Alex Rosa, mas gostei do poema. Mais um na lista de "a conhecer"! :-) Obrigada, Ci!

    Beijos,

    p.s. - Ainda viajo aqui na Rapsody in blue...

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  2. QUIZÁS SI.
    UN ABRAZO

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  3. E aí, Ci!
    Gershwin é ímpar... tomando carona no texto, é um extravio na mesmice.
    BJo

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